sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Funeral



Fui a um funeral ontem. Foi-se um amigo, o Fariolli, garotão milanês de 78 anos.

Infarto, e não enfarte, como costumo confundir. É indiferente, pois se foi.

Eu o conheci em 89. Então, a minha inexperiência no novo ambiente de trabalho chegava a ser constrangedora. Uma compra negligente era decretar a própria morte. Mas intuí sua honestidade logo no primeiro encontro.

Desde então, sempre trabalhamos juntos. Lotes de Armani, Prada, Dolce e Gabbana e dezenas de outras marcas de moda. Que ele sempre as chamava de “stracci” (farrapos, panos de chão). "È tutta robaccia!", tudo porcaria, repetia sempre.

Com milhares de roupas à disposição, estava sempre com o mesmo e velho cardigan, todo desfiado. Ainda que fosse de Missoni.

Não era falsa modéstia. Nem desejo de ostentação ao avesso. Havia iniciado neste setor nos anos 60, “quando Versace era um moleque, e vinha acompanhado de sua mãe, uma costureira”, repetia sempre. Talvez estivesse cansado de tudo isso.

Ele se foi.

Eu fico por aqui. Dependo dessas “porcarias” para continuar a pagar minhas contas.

Um comentário:

hissahe disse...

Muitos amigos se vão e nos deixam muitas saudades. Também fiquei muito triste por algumas perdas. Me desolei mas na reviravolta percebi que eu não podia me entristecer pela perda mas me alegrar por ter podido compartilhar belos momentos com aquela pessoa.
Beijos.