quarta-feira, 8 de abril de 2009

Subcultura



Leio esta manhã no jornal La Repubblica que a prefeitura de Kyoto decidiu fisicamente tutelar as gueixas, um dos tesouros nacionais do Japão. E com o uso de seguranças e placas com pedidos de respeito para evitar moléstias de turistas estrangeiros, dos quais têm sido vítimas nos últimos anos. Serão os mesmos que depredam esculturas dos museus abertos italianos ou aqueles que insistem em tocar as obras de Louvre com as mãos sujas de sorvete.

Armados de câmeras como paparazzi, os turistas chegam a invadir (sem tirar os sapatos, suponho eu) as exclusivas casas de cerimônia para fotografar os rituais de jantares reservados, quando não as abordam despudoradamente na rua.

O impulso da curiosidade e selvageria dos turistas não há limite, segundo o artigo. Alguns chegam a tocá-las na rua, puxá-las com grosseria pela manga do quimono ou pelos cabelos, para comprovar a autenticidade do refinado penteado (que requer ao menos quatro horas de preparo).

É a subcultura de Hollywood, materializada nestes turistas selvagens.

6 comentários:

hissahe disse...

Elas são lindas é verdade.
Porque não apreciá-las com os olhos e imaginação?
Absurdo!!

Bjs

LuMa disse...

Hissahe,
Por aquí tbém não faltam turistas como estes. Insistem em ver a beleza com as mãos. E há os mais medíocres, que querem levar lembrancinhas do lugar, com toalhas, copos ou talheres do hotel, sabe como...

Paola disse...

LuMa,
Eu acho que é uma questão de civilidade, percebo que muitos turistas, mesmo os provenientes de países muiiiiiito rigorosos têm tido atitudes estranhissimas.
Tenho a sensação que muito pela falta da filosofia, de regras sociais e outras coisas, as pessoas agem sempre no princípio do "primeiro eu", por isso quando chegam em lugares diferentes, nem tentam se adaquar, até aqui no Brasil, vejo turistas e estrangeiros fazendo coisas do arco-da-velha. Sabe aquela coisa de trocar fralda do bebê no banco do Shopping? Pode? Poder pode, mas ninguém tem nada a ver com o cocô alheio, né? MAs ninguém mais pensa assim, por isso, sentem-se à vontade para passar a mão em qualquer coisa que desperte curiosodade, da bunda da mulata ( que apesar de estar semi nua, não ofereceu seu trazeiro para ninguém), na obra no Louvre e nas gueixas,
Acho que nosso tempo se caracteriza pelo retrocesso civilizatório, e aí emendo na resposta que ainda não escrevi para vc lá no voto de filha, a catedral, a praca, a ágora, são espaços públicos de troca de pensamento, estamos, na internet buscando isso, mas ainda é necessário estimular o contato pessoal!
(Como eu falo, escrevo! Meu nome poderia ser turbilhão!)

Beijo

PAola

LuMa disse...

Paola,
É bem o que vc disse. Requer tão pouco, mas tão pouco de sí para ser civilizado. Não é necessário uma ciência, nem ser letrado para compreendê-lo, não é mesmo?

Adrina disse...

Estamos retrocedendo na história da civilização.

Anônimo disse...

Hoje o que mais me preocupa é a HUMANIDADE, em todos os sentidos.

bjus Regina