sexta-feira, 10 de abril de 2009

Lixo



O meu forno a microondas, de uma marca desconhecida, começou a dar sua primeira pifadinha. Pudera, me serviu por 16 anos, quando os eletrodomésticos, de um modo geral, duram em média 10 anos. É o tempo prestabelececido pela indústria de consumo, para que o giro de economia garanta a própria existência.

Vivemos num vórtice de consumismo, no qual o rei Marketing tenta condicionar nossa mente de que temos que trocar o velho pelo novo, a cada novo modelo proposto. Com mais potência, design repaginado e para estar em linha com a contemporaneidade. Ou simplesmente por ostentação. E tudo a uma velocidade estonteante.

Todas as vezes que tenho que adquirir algum produto de uso doméstico, me lembro de um texto - se não me engano, a minha primeira tentativa de tradução de um jornal japonês - o qual se fixou na memória. Então, eu era uma simples bolsista no Japão, em 86, quando a minha consciência pelo ambiente ainda dava seus primeiros passos. Me lembro os números de eletrodomésticos jogados no lixo, apenas na área metropolitana de Tóquio.

A proporção era algo como 400 mil futon; 200 mil geladeiras, 100 mil microondas; 200 mil aquecedores, e assim por diante. Apenas de "lixos" em perfeito estado de funcionamento. Cifras astronômicas, para a equação de um bolso como o meu, então.

Não pretendo trocar o meu forno enquanto não pifar definitivamente. Não me importa se ele tenha um aspecto pouco atraente. Minhas comidinhas não dependem da sua estética.

7 comentários:

Paola disse...

Em 95, um amigo que morava no Japão, voltou para as férias e contou que não havia comprado nada, nem micro ondas, nm televisão, aparelho de som, nem carro, tudo ele encontrou no "lixo" do lugar que ele morava.
A situação, surreal, já naquela época me pareceu assustadora, o resultado é esse mesmo, ilhas de lixo boiando no Pacífico.
e uma coisa juntando à outra, fico assustada, e a culpa é de quem é? Do consumidor compulsivo? DA industria da propaganda? Do capitalismo Selvagem? Coisa têm que acontecr, mudaças devem ser incentivadas!
Nnao é fácil, não, mas sou da sua turma, também, só troco um aparelho quando ele já não tem mais conserto!
Beijos

PAola

LuMa disse...

Paola, não é nem pelo preço, que é baratinho hoje, mas não vejo razão de trocá-lo qdo ainda funciona, não é mesmo?

Já em 86, qdo estive no Japão, a reciclagem do lixo diário era rigorosamente obrigatória. Vidros, latas, lixos perecíveis, papéis, óleo, etc, já eram separados e suas classificações eram severas. Mas restava o outro lixo - este tbém devidamente separado - de maiores dimensões ou de difícil processamento, como o caso de eletrodomésticos, jogados fora apenas por capricho dos consumidores. Desde então, as leis se tornaram mais severas, devendo pagar para jogar fora.

hissahe disse...

Eu também não troco meus aparelhos até que eles pifem de vez. Mesmo depois de pifados eu ou o Eishin abrimos o aparelho pra ver se não tem jeito meeeeeeeesmo. Meu cunhado e sogra ficam indignados. Não vejo motivos pra mudar só porque os OUTROS naõ concordam com o meu jeito.
Beijos

LuMa disse...

Ah Hissahe, de vc já deduzia mesmo este comportamento.Vc não seria a Hissahe que eu conheço(rs). Como sempre, a Hissahe que admiro tanto. Mas tanto, mesmo...

Bigode disse...

Oi, Luma!

Feliz Páscoa!

=^^=

Anônimo disse...

Luma, minha máquina de lavar pifou á mais ou menos 9 mese, desde então lavo tuuudo na mão.Estou tentando ganhar uma nova, mas agora na fase em que o mardão está, está muito difícil tirar um trocado dele, agora estão dizendo que os novos aparelhos de úlmima geração estão vindo piores, então o jeito é tentar arrumar a velha máquina, senão vou ter ataque de nervos!!!!!! bjusssss reginona

LuMa disse...

Bigode, obrigada pela felicitação.

Regina,
Ter a lavadora pifada não é fácil, hein. Acho que é o único eletrodoméstico que substitui, de fato, a nossa força física! beijos.