sexta-feira, 13 de março de 2009

Cartas de Demissão



Acabei de traduzir 6 páginas de cartas de demissão. Missão dolorosa e ingrata ao prever a reação dos que receberão a notícia nesta segunda-feira.

Serão entregues a quatro profissionais italianos, funcionários especialistas em uma empresa japonesa no setor de alimentos, localizada a cerca de 100 quilômetros de Tóquio. Cada qual com motivações diferentes que justificam a decisão, mas agravadas com a crise financeira internacional que assombra o país.

Com a revogação do contrato de trabalho, a empresa se dispõe a cumprir os encargos sociais e trabalhistas, além de cobrir as despesas de transporte aos funcionários que retornarão à Itália.

Com seus retornos, serão mais quatro desempregados a se unir à estatística italiana de fevereiro. Saíram esta semana os dados oficiais do Inps italiano, Instituto Nacional de Previdência Social. Entre janeiro e fevereiro, mais de 370 mil novos desempregados entraram com o pedido de subsídio, o seguro-desemprego.

7 comentários:

Paola disse...

Quando isso vai acabar?
É tão doloroso saber que mesmo com tanto trabalho quando as coisas começam a ruir, ninguém é poupado.

PAola

batatatransgenica disse...

muitos dekasseguis voltando para cá, também.

Anônimo disse...

LUMA, A VEJA DE MARÇO PREVEU A VOLTA DE + OU - 36 MIL BRASILEIROS, AINDA FICAM NO JAPÃO MAIS DE 300 MIL. SÓ COM ESTES 36 MIL, JÁ ESTAMOS VENDO MAIS JAPAS CIRCULANDO PELA CIDADE. IMAGINA SE TODOS VOLTAREM, SERÃO MAIS DE 360MIL Á MAIS DESEMPREGADOS NO BRASIL!!!O QUE FAZER??????????????

hissahe disse...

O projeto anunciado na semana passada pelo governo de Gifu, província japonesa, surpreende não só pela ousadia, mas pelos motivos que podem ter levado à sua concepção. O financiamento de 700 passagens de IDA ao Brasil, no valor total de 100 milhões de ienes, é bem o que muitos dos brasileiros sem emprego e sem moradia queriam. A maioria provavelmente nem vai questionar os porquês e nem perguntará pelas contrapartidas.
E o governo da província também não parece preocupado em criar um sistema rigoroso para garantir o reembolso. Ele fala em devolução do dinheiro da passagem a partir do terceiro mês até cinco anos do retorno, a juros anuais de 1,55%, sem caução ou fiador. Ou seja, a província e o banco que participa do projeto tem garantia quase zero de receber o dinheiro.
O que o plano detalha, isso sim, é como vai enviar o grupo de volta para o Brasil. Disponibilizará até ônibus para transportar o passageiro e suas bagagens ao aeroporto. Será embarque quase imediato.
Se os brasileiros têm pressa de fugir da crise, o governo tem mais ainda de não tê-los por perto vivendo essa situação de desemprego e como sem-teto. Existe um medo histórico e irreal(?)de que brasileiros fora da fábrica podem representar uma massa sem controle.
Talvez por isso não se importem com a conta de 100 milhões de ienes, se esse dinheiro servir para evitar os problemas sociais que acreditam surgir da comunidade de brasileiros desempregados.
O gabinete do primeiro-ministro Taro Aso também formatou seu plano de apoio aos estrangeiros que prevê além de medidas voltadas à geração de emprego e melhoria da educação, o retorno ao país de origem.
Com certeza, pensam na volta dos brasileiros a seu país não para poupá-los da crise, mas para garantir a segurança da sociedade japonesa.
Talvez depois dessa despedida oficial, os brasileiros que viveram anos sem se sentirem obrigados a falar o idioma nem entender as regras locais, se vejam barrados para sempre, porque o país pensa agora em outros profissionais.

LuMa disse...

Hissahe, é a vocação predatória do brasileiro, que de um dia para o outro passou da barbárie social brasileira à riqueza econômica sem a etapa intermediária da civilização.

Será possível que após anos de trabalho e economia os brasileiros ainda se coloquem como vítimas e chorem por passagens? Depois de tantos crimes, arruaças, desprezos pelas regras locais e ainda vão "mamar" no dinheiro público(ou seja, dos impostos dos cidadãos japoneses) com todas as despesas de retorno pagas? Cada brasileiros deveria se lembrar que sua ida ao Japão foi uma iniciativa sua, por agencias privadas(maioria de São Paulo), sem vínculos com empresas nas quais trabalhariam, e portanto, o Estado japonês não há nenhuma obrigação para arcar com a repatriação. Esse pessoal tão habituado com o descaso do gov. brasileiro agora quer exigir do gov. japonês direitos que lhe pertence? Que eles conheçam a realidade dos imigrantes em outros países da Europa e EUA, antes de chorar. Se o brasileiro se tornou uma "persona non grata", haverá alguma razão por aí...

hissahe disse...

Alguns trabalharam anos e economizaram muito mas muito não teem NADA porque gastaram TUDO!!!
Estou com um caso na polícia: brasileiro de Capão Bonito, 49 anos sendo 22 no Japão, não fala e não entende nada do japones, analfabeto(so desenha o próprio nome), sem um tostão no bolso. Foi preso por invasão à agência do correio.
Dá pra acreditar?

Adrina disse...

Além de dekasseguis, tem muitos brasileiros que vivem na região de Boston/EUA, retornando para a região de Governador Valadares/MG (onde morei por 8 anos) com uma mão na frente e outra atrás. Investiram muito em construção civil na cidade de origem(inflacionando o mercado local de terrenos e material de construção) e não se preocuparam em construir algo com o que viver após o regresso. Muitos construíram casas para viver do aluguel, mas outros ficaram 15, 20 anos nos EUA sem aprender 1 palavra em inglês e mal tem o dinheiro para voltar para casa. Triste. A economia da região foi para o buraco, vários comerciantes estão baixando suas portas porque o dólar fácil que foi despejado na cidade da década de 80 até o ano de 2007 simplesmente acabou, e a economia de Valadares gira única e exclusivamente em torno dos dólares remetidos pelos imigrantes.