sexta-feira, 6 de março de 2009

Caro Celular


Não me surpreendí com o resultado de uma pesquisa da ONU divulgada esta semana. Ela revela que a telefonia no Brasil é uma das mais caras do mundo, da qual apenas o celular consome 7,5% da renda média per capita do país. A fixa não fica muito atrás, consumindo 5,9% da renda. Chamar de absurdo soa até como um eufemismo.

Além de cara, nos exige equações das mais complexas para compreender os serviços e horários de descontos, oferecidos por cada uma das companhias. E o que dizer da tarifa diferenciada quando dois concorrentes se falam. O que justifica o preço mais elevado, apenas porque um usuário da Claro telefona a outro da Tim? Sem dizer que quem recebe ligações distantes também paga para ouvir!

Nos últimos 5 anos, estive no Brasil uma vez a cada 6 meses, por motivos familiares. Para resolver empenhos dentro do limitado tempo de permanência, me apóio na Tim, opção supostamente mais econômica em razão da família, que utiliza o mesmo serviço.

Além desta "vantagem", - até tempos atrás - ela me assegurava que a validade da recarga era de 6 meses, antes que caducasse e eu perdesse definitivamente o número. Prevenindo o meu retorno sucessivo ao Brasil depois de poucos meses, eu o recarregava no dia de embarque para Milão, para não dar margem a erros. De volta ao Brasil - e dentro ainda da validade da recarga anterior intacta - a Tim desconversava alegando novas diretrizes da empresa e outras mil mudanças internas (com jargões informáticos), sugerindo que eu adquirisse um novo chip. E uma nova recarga, naturalmente. Por duas vezes caí nesta conversa de validade.

Sou, por natureza, monossilábica ao telefone. E avessa ao bate-papo ao celular. Em geral, me bastam 30 segundos para eu transmitir o necessário. Ainda assim, - e apenas para ilustrar a última viagem ao Brasil, em julho passado - gastei cerca de 300 reais de recargas em 25 dias. Apenas de ligações-relâmpago, limitadas a grande São Paulo e por razões realmente emergenciais. Até porque sou usuária do orelhão para assuntos de importância secundária. Despesa que não foi diferente das viagens precedentes.

Isso corresponde a cerca de 100 euros, suficientes para eu recarregar o celular por 3 meses ou até mais na Itália, quando a minha carga de trabalho é menor. O telefone público se tornou uma raridade neste país, o que torna o celular indispensável e único para todas as comunicações.

Dado o meu último custo no Brasil, me pergunto quanto gastam os profissionais como vendedores e representantes, cujo uso do celular é indispensável para o trabalho e sobrevivência. Para justificar o custo de 7,5% da renda média, não é difícil supor que o brasileiro esteja arcando um custo no qual estão embutidas as contas de subornos e lobbies dos políticos.

2 comentários:

batatatransgenica disse...

não só a telefonia fixa e celular, mas também a internet. e com o agravante de que a qualidade é inversamente proporcional!

Kenia Mello disse...

Tudo está muito caro no Brasil, menos a cesta básica que, com exceção de alguns estados (Pernambuco é um deles), diminuiu de valor com relação ao ano passado. Mas isso não é porque o governo é bonzinho e acha que o povo deve comer melhor, não. Na verdade, o barateio no custo da cesta básica se deu porque tivemos uma execelente produção agrícola em 2008.
Beijo.