quarta-feira, 17 de março de 2010

Ferlinghetti, tão longe, tão perto

Lawrence Ferlinghetti, escritor, editor, poeta e pintor

Não conheço San Francisco, infelizmente. Mas, se tivesse que atravessar o Atlântico para conhecer a cidade, certamente iria - quase exclusivamente - , para entrar na livraria e editora City Lights Bookstore, de Lawrence Ferlinghetti, poeta, editor e amigo de tantos escritores da beat generation que já se foram.

Neil Casssady e Jack Kerouac

Não fosse ele, não teríamos conhecido Kerouac, Ginsberg, Burroughs, Neil Cassady e tantos outros que fizeram sonhar a geração brasileira na primeira metade dos anos 80, com suas transgressões literárias, devoradas por nós como pipocas no cinema. Tempos em que - mesmo com algumas décadas de atraso com relação a outros países - , editoras como Brasiliense e L&PM presentearam o mercado editorial com a novidade literária e seus escritores colaterais - John Fante, J.D. Salinger, Bukowski, entre outros. Méritos então de Leminski, Pepe Escobar, Matinas Suzuki Jr, Claudio Willer e tantos outros tradutores e resenhadores da Folha.

San Francisco está longe para mim, mas Roma está próxima. O Museu de Roma, no bairro de Trastevere, está exibindo até o dia 25 de abril a mostra "Lawrence Ferlinghetti - 60 anos de Pintura", do editor que hoje está com mais de 90 anos de idade. Literatura e pintura sempre estiveram lado a lado para este remanescente -,talvez o último beatnik, ainda ativo.

Segundo as resenhas que li, a mostra traz pinceladas que começam com 1947, ano em que Marcel Duchamp e André Breton organizaram a Exposição Intermacional de Surrealismo, cujo estilo - com toque de Mirò e Tanguy - o influenciou nos primeiros traços, até chegar ao expressionismo onírico de Chagall.

Pessoalmente - se poderei ir até Roma pela mostra - , gostaria de ver a representação de "The Death of Neil Cassady", sobre a morte do escritor-símbolo da beat generation, co-protagonista e amigo de Kerouac no "On The Road".

Quem sabe, suas pinturas poderão me reacender como facho de transgressão estes tempos apáticos e ordinários.

7 comentários:

Anônimo disse...

Como William Burroughs este tambem vive muito, fumando, bebendo e se drogando...

Lembro de ter que encapar os livros para nao ser " enquadrada " pelos meis pais, principalmente os de Ginsberg.

beijinhos
Anna

LuMa disse...

Anninha:
E pensar que Burroughs, a droga ambulante, morreu agora nos anos 90(!) Ô povo que vive muito esses aí.

Anna, não foi Bukowski que vc encapava, e não Ginsberg,rs? Cê esteve lá e nem foi na livraria, né? Até hoje lembro disso e nunca te perdoei. Beijinhos.

Punksauro Nei disse...

de Jack Kerouac para a minha cachola, foreva:

"Quatro rodas no chao e uma na mao".

Em On the Road.

LuMa disse...

Nei:

Pode acrescentar aí. E rolo de papel de telex na máquina de escrever, com uma caneca de bourbon do lado... Beijos.

Bloguetto disse...

Se você for a San Francisco não esqueça de usar algumas flores nos cabelos. Lembra da música? Bj.

LuMa disse...

Bloghetto:
Além de flores, vou usar saia de chita até o tornozelo e tamancos, ainda que os primeiros pés-de-galinha comecem a se mostrar no canto dos olhos,rs!

Rackel F. F. Tambara disse...

Que invejinha boa dessa efervescência toda, Luma. E não é que o nosso Valtinho Salles está se preparando para filmar "On the road",com direito à queridinha Kirsten Dunst(da saga vampiresco-adolescente "Crepúsculo") e pretensões de Júlia Roberts?.Aguardemos.
Abraço Fraterno.