sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Evocação do presente


Ao bisbilhotar a sacola de compras que meu marido trouxera ontem do supermercado, encontrei entre suas provisões semanais de produtos dietéticos uma agradável surpresa, à qual ele pretende aderir regularmente: uma confecção inteira de Yakult, tal qual tomei até a minha adolescência. A mesma familiaridade na embalagem, cor e logotipo, não fosse a distinção que tudo está em italiano, com o slogan "Buongiorno salute". Ao abri-lo, sentí seu sugestivo odor acre acionar o rewind da minha memória, rebobinando a minha existência até os anos 70.

Para um brasileiro, a minha nostalgia pode soar estranho, mas o fato é que a presença deste pequeno frasco de lactobacilos no mercado italiano é mais que recente. Lançou-se aquí há apenas dois anos, no início de 2007, sob a licença da matriz japonesa e da Yakult Europe. Segundo a embalagem, a produção européia é inteiramente centralizada na Holanda. Seria antagônico, portanto, se eu não estivesse há 20 anos sem consumí-lo, senão nas poucas vezes em que eu o levei à boca durante as viagens ao Brasil.

Com os tempos que correm, era natural que a filial italiana limitasse sua distribuição apenas às grandes redes de supermercados. Não conhecerão, portanto, a aura romântica que nós brasileiros atribuimos à infância, dos tempos em que senhoras e donas-de-casas batiam nossas portas com seus carrinhos refrigerados cheios de frascos. Para nós, o produto é um contemporâneo de tantos pais e mães de famílias (ou até avôs), pois segundo o próprio site, a filial brasileira instalou-se no país há 41 anos, em 1968. Aquela mesma fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, de cuja rodovia que a atravessa, se vê (ou não mais?) instalações de vaquinhas em tamanho natural, distribuídas pelo gramado.


Ontem, enquanto eu sentia seu sabor tão íntimo e familiar expandir-se por todo o céu da boca, fui tomada por uma irreprimível curiosidade. Se haverá ainda no Brasil a distribuição porta a porta, por aquelas senhoras de carrinho. Como afago à nostalgia, prefiro pensar que elas ainda resistem. A desolação combinaria apenas com esta versão italiana, tão semelhante à brasileira quanto impessoal e anônima para o meu íntimo. Falta-lhe memória ainda.

17 comentários:

Adrina disse...

No Espírito Santo eu nunca vi desses carrinhos. Aqui em BH já vi, mas nunca comprei. Yakult em casa, na infância, era disputado a tapa, pois a compra não era frequente. Hoje existem várias marcas de leite fermentado no mercado aqui, e em casa somos consumidores assíduos. Adoro!

Paola disse...

Em São PAulo, principalmente nos bairros elas dominam, além de lacto-bacilos vivos, também vendem cosméticos pelo catálogo!

Bj

PAola

Punksauro Nei disse...

As tiazinhas do Yakult tambem sumiram aqui no Japao.

Assim como os colecionadores de cartao telefonico. Era o celular, ha 15 anos atras.

Ainda tenho, em alguma dessas minhas caixinhas de bugigangas, uma ficha telefonica.

Devo ter tambem um pouco de seculo 21.

Dane C disse...

Olá
Nem me lembro mais como cheguei aqui, mas com certeza foi algum blog de gatos que me trouxe seu link. Resolvi comentar porque achei o máximo esse seu post. Eu morava no interior e também lembro dos carrinhos de Yakult. Hoje moro em SP e dias atrás ao sair de casa descobri que aqui na minha rua passa uma senhora todas as 2ª, 4ª e 6ª e ela vende não somente o Yakult mas outros produtos também. Nem preciso dizer que eu adorei a ideia, né, e já mandei ela marcar no caderninho dela o número do meu apartamento para o porteiro interfornar quando ela passar! :)

LuMa disse...

Adrina, Paola, Nei e Dane C:

Fico felicíssima e confortada ao saber que elas resistem, pois além do produto ser um ícone das nossas lembranças infantis, elas são, por sua vez, uma instituição na nossa memória. (Além de dar empregos às vendedoras de todas as faixas etárias). Me emociona saber que em tempos de grande violência e a recusa das pessoas não atenderem nem menos ao portão, elas chegam até os condomínios. :)

Dane C:
Muito obrigada pela sua visita, Dane. Fiquei muito feliz com uma visita inesperada, e ainda, gatófila! :)

Punksauro Nei disse...

Tem aquela piada que o carrinho da tiazinha do Yakult tombou na calcada:
- Bilhoes de lactobacilos mortos.

LuMa disse...

Nei:

Shiii...será que a Yakult vai fazer um recall dos seus carrinhos? :)

Shoiti disse...

pois é... ainda temos as senhoras indo de porta em porta, contudo existem alguns senhores fazendo o mesmo trabalho, às vezes muito mais simpáticos... mas é inegável o sabor de nostalgia...

LuMa disse...

Shoiti:
Tenho a impressão - é apenas um palpite - ,de que a Yakult detinha a marca registrada deste produto por muitas décadas, porque ao menos aquí, qdo ele apareceu no mercado, juntos chegaram lançamentos de outras marcas. O direito exclusivo deve ter caducado, sei lá. Em todo o caso, o leitinho é um ícone pra mim, junto com os lanches Mirabel,rs.

Renata disse...

Oiê aqui ainda tem as tias com os carrinhos eu tenho até conta pago no final do mês, pode rsrsrsrss, tem carrinho da Nestle, e picolé, vem pra cá vem.

LuMa disse...

Olá, Renata!
Muito obrigada pela visita no meu cantinho! Tentei entrar na sua página, mas não consigo. Portanto, deixo registrado o agradecimento aqui.

Olha, se dependesse de mim, eu já estaria aí,rs! Então vc tbém tem a conta com a tia da Yakult! Feliz vc, que está curtindo o calor e tomando o picolé! Te agradeço de novo pela visita, e apareça sempre, pois gosto muito de falar sobre comidas,rs! Beijos

Mica disse...

Nunca vi as tais senhoras dos carrinhos de Yakult, mas sem dúvida o Yakult em si povoou a minha infância. Lembro da minha vó sempre trazendo um para mim quando vinha do centro da cidade ^_^.
É fato que hoje em dia existem outras marcas, mas quer saber a verdade? Yakult continua sendo o mais saboroso. A qualidade é inegável. O problema é o preço. Salgado demais. Não tenho coragem de comprar. Várias vezes parei em frente a gôndola de Yakult, olhei, olhei de novo, mais uma vez, até peguei na mão, mas depois devolvi. Não consigo arrumar coragem para gastar com um negocinho tão pequeno (embora seja absurdamente gostoso).

LuMa disse...

Olá, Mica.
Fiquei muito feliz com a sua visita neste cantinho, muito obrigada! Uma catarinense, que prazer. Puxa, não sabia que o preço anda salgadinho, é uma pena. Talvez se deva ao fato de ser 'original', pioneiro e por possuir uma história. Já outras marcas, por não possuir uma 'memória', talvez devam se sucumbir à lei do mercado, o de conquistar pelo preço. Em todo caso, o yakultinho é um ícone para muitos grandinhos como nós, não é mesmo? Abraços!

Ana Paula disse...

Apenas algumas informações.. existem cerca de 6000 de revendedoras porta a porta, no Brasil, em São Paulo capital, interior, é no sul do pais e mas recentemente na Bahia. A fábrica de SBC ainda existe´, com as mesmas vaquinhas, com a diferença que lá só produz taff man-e, hiline e sofyl. O yakult é produzido em Lorena em uma fábrica com alta tecnologia.
Em paises como japão, méxico existe o porta a porta e a empresa está presente em 30 paises!
Sei disso porque trabalho na empresa!

LuMa disse...

Anna Paula:
Que honra! Quem diria que minhas divagações nostálgicas acabariam trazendo até quem trabalhe na empresa aqui neste cantinho! Na Itália, o produto é novidade. Mas com a Yakult, chegaram várias outras marcas tbém. Fico feliz que no Brasil continua a empregar muitas mulheres e surpresa ao saber que a fábrica fique em Lorena. Pra mim o produto é um ícone da infância, sobretudo dos anos 70. Adoro o design da embalagem, em forma de leiteiro! Muito obrigada pela visita, Anna Paula, foi muito gentil. Abraços!

ZEKARLOS RIBEIRO disse...

VERDADE CONCORDO MUITO SABOROSOS EU NAO ME IMPORTARIA DE PAGA O PRECO MAS O POBLEMA E QUE EU NAO TENHO ACHADO NOS SUPERMERCADOS DE MINHA CIDADE EU GOSTARIA QUE A YACULT RESOLVE SE
ISTO MINHA CIDADE E LEOPOLDINA MG

ZEKARLOS RIBEIRO disse...

VERDADE CONCORDO MUITO SABOROSOS EU NAO ME IMPORTARIA DE PAGA O PRECO MAS O POBLEMA E QUE EU NAO TENHO ACHADO NOS SUPERMERCADOS DE MINHA CIDADE EU GOSTARIA QUE A YACULT RESOLVE SE
ISTO MINHA CIDADE E LEOPOLDINA MG